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Inocentes

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Inocentes

A história do grupo começa em 1979, quando o baixista Clemente resolveu deixar os Condutores de Cadáver e montar um novo grupo. Clemente já era um veterano da cena punk, pois havia formado o Restos de Nada com Douglas Viscaino, em 1978.

Junto com os companheiros de Condutores, o guitarrista Antônio Carlos Calegari e o baterista Marcelino Gonzales, convidaram Maurício para ser o vocalista de um novo grupo, Inocentes.

Rapidamente, os Inocentes se tornam um dos pilares da cena punk paulistana, ao lado do Cólera e Olho Seco. Os três grupos, aliás, são convidados para participarem da coletânea Grito Suburbano, registro vital da época e lançado pelo selo Punk Rock, em 1982.

Em 1983, a banda participa de outra coletânea fundamental para a solidificação do gênero,O Começo do Fim do Mundo, gravado ao vivo, no recém-inaugurado Sesc Pompéia, nos dias 27 e 28 de novembro.

Foi o primeiro evento punk do Brasil, organizado por Antonio Bivar, que lançava o livro O que é o Punk? e que ainda teve exposição de objetos e vídeos, além de apresentações de vários artistas, destacando-se o novato Ratos de Porão.

Os Inocentes já eram uma das estrelas do movimento. Clemente havia marcado presença ao escrever um manifesto para a revista Gallery Around, com uma frase que ficaria famosa: "Nós estamos aqui para revolucionar a música popular brasileira, pintar de negro a asa branca, atrasar o trem das onze, pisar sobre as flores de Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer."

Em 1983 lançam o primeiro disco, Miséria e Fome, por selo próprio. Na verdade, o LP virou um EP, já que quase todas as músicas foram vetadas pela censura. Mais tarde acabou sendo lançado pela Devil Discos.

Logo após, a banda - já um trio, com Clemente nos vocais - se dissolve em cima do palco no Napalm, casa noturna de São Paulo e pára por um ano.

O grupo retorna em 1984, com uma nova formação, tendo Tonhão na bateria, André, o baixo, Ronaldo, na guitarra e Clemente na segunda guitarra e vocais, com um som mais perto do pós-punk. São incluídos na coletânea internacionalLife Is a Joke e vêem o LP Grito Suburbano ser lançado na Alemanha com o nome Volks Grito.

Dessa maneira, se tornam a primeira banda punk a gravar por uma multinacional e logo são taxados de "vendidos" e "traidores do movimento", por gente que talvez desconhecesse que Sex Pistols, Clash e muitos outros artistas punks lançaram seus discos por grandes gravadoras. O importante, para os Inocentes, era espalhar a mensagem e não se vender.

Assim, em 1986, lançam o mini-LP Pânico em SP, com apenas seis músicas. No ano seguinte, lançam o primeiro LP pela Warner, Adeus Carne. Apesar das ótimas críticas e boa receptividade, a Warner demora a colocar o grupo novamente em estúdio, fato que só ocorreria em 1989, com o disco Inocentes.

Talvez por pressão da gravadora ou por tentarem parecer mais ecléticos, o disco não faz tanto sucesso, devido aos diferentes estilos, além de contar com uma capa um tanto constrangedora, onde todos apareciam algemados e nus. O disco marca a saída de Tonhão e André, substituídos por César (bateria) e Mingau (baixo). A faixa de destaque é e "O Homem que Bebia Demais" e uma regravação de "Garotos do Subúrbio".

O fiasco comercial culminou com a saída da Warner e alguns anos de ostracismo para o grupo. O movimento punk perdia cada vez mais força e o grupo só voltou à cena com o disco Estilhaços, em 1992.

Em 1994 lançam Subterrâneos e banda abre shows para os Ramones e com a banda tendo de volta Calegari, no baixo, em lugar de Mingau. Mas Calegari logo sairia novamente, assim como César, entrando em seus lugares, Nonô e Anselmo.

O grupo também participa do curta-metragem Opressão, de Mirella Martinelli e Clemente grava com Thayde e DJ Hum, uma versão "Pânico em SP", que acaba sendo rebatizada como "Testemunha Ocular". A faixa acaba entrando na coletânea No Majors Baby, editada pela Paradoxx.

Em 1996 é lançado o disco Ruas, pela Paradoxx, pequeno selo que tinha promovido também a volta do Ira!, nos anos 90.

O grupo acaba se apresentando no festival Close-Up Planet, ao lado dos Sex Pistols e de Marky Ramone.

Em 1998, lançam Embalado a Vácuo, pela Paradoxx, que acaba o vendendo para a Abril (edita o CD com capa diferente e duas faixas extras), selo que os despede pouco tempo depois.

Em 2001 perdem Ronaldo, que simplesmente some minutos antes de uma apresentação em São Paulo, obrigando a banda fazer o show como trio.

Começa um enorme rodízio de músicos na banda e, em 2004, o grupo lança o disco Labirinto, pelo selo Ataque Frontal.

Mais ou menos na mesma época, Clemente se junta à Plebe Rude como membro fixo, dividindo seu tempo entre os dois grupos.

A banda continua na ativa, fazendo shows e sendo, talvez, o nome mais importante do movimento punk no Brasil, quase 30 anos depois.

Albuns (12)
Músicas (148)
CD

HITS 669